sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SE





Se meus maridos e minha morte podre,
Onde tinham por baixo o medo do mar e o receio do céu,
E hoje, como justa é esta dança,
Que surge a minha porta, apresentando-me
Quatros filhos que jamais tive,
Dois deles que pari depois de morta
E mais outros dois que vieram no mês de  abril,
Onde costumava dormir nos pomares...


Eu passei muito tempo sozinha nas sombras
E ainda tive que partir antes do sol  ser engolido pelo mar, para sempre...
Outras pessoas vão adorar o que eu amo!
Elas vão ter o mesmo brilho do meu olhar, mas, mesmo partido o coração,
Apesar de não ser a mesma na minha horta,
As florestas com seus cabelos loiros,
Como nunca,  não vão deixar  morrer a esperança,
Nem na minha alma e nem nas de vocês,
Porque a morte, a mais indesejada das gentes,
Quando chegar vai encontrar  cada coisa em seu lugar!



Valentina Reis, 22/01/2016
Em homenagem ao fabuloso poeta Manuel Bandeira

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