Se meus maridos e minha morte podre,
Onde tinham por baixo
o medo do mar e o receio do céu,
E hoje, como justa é esta dança,
Que surge a minha porta, apresentando-me
Quatros filhos que jamais tive,
Dois deles que pari
depois de morta
E mais outros dois que vieram no mês de abril,
Onde costumava dormir nos pomares...
Eu passei muito tempo sozinha nas sombras
E ainda tive que partir antes do sol ser engolido pelo mar, para sempre...
Outras pessoas vão adorar o que eu amo!
Elas vão ter o mesmo brilho do meu olhar, mas, mesmo partido
o coração,
Apesar de não ser a mesma na minha horta,
As florestas com seus cabelos loiros,
Como nunca, não vão
deixar morrer a esperança,
Nem na minha alma e nem nas de vocês,
Porque a morte, a mais indesejada das gentes,
Quando chegar vai encontrar
cada coisa em seu lugar!
Valentina Reis, 22/01/2016
Em homenagem ao fabuloso poeta Manuel Bandeira
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